quinta-feira, 1 de julho de 2010
Tecnologia de andar nas paredes
Nesse quesito, ninguém é melhor que o Homem-Aranha. Depois de ter sido picado por uma aranha geneticamente modificada, o jovem Peter Parker recebeu poderes de um aracnídeo, como a capacidade de escalar paredes, lançar teias, superforça e até mesmo o incrível sentido aranha.
Porém, isso não mudou o fato de ele continuar sendo o nerd de sempre. Mesmo sendo um herói, continuava a sofrer bullying dos colegas e a mulher de seus sonhos nem sequer reparava em sua existência. Quem nunca passou por algo assim?
Além disso, o que fez o Homem-Aranha conquistar o coração das pessoas é o bom humor que ele possui até mesmo no calor das batalhas contra os vilões mais perigosos de Nova York. É por conta desse alto astral que ele é até hoje chamado de o Amigão da Vizinhança.
Como a vida imita a arte, é óbvio que os incríveis poderes de Peter Parker logo iriam se transformar em artigos tecnológicos fora das histórias em quadrinhos. Por mais que as habilidades de aranha fossem decorrência de um acidente genético, isso não é nada que não possa ser adaptado na realidade.
O legado do Aranha
Como todo bom super-herói, o Homem-Aranha teve sua maior lição antes mesmo de lutar contra o crime. Em uma conversa com tio Ben, o homem que o criou como um pai, o jovem Peter Parker ouviu as palavras que norteariam sua vida por baixo da máscara de aranha: “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”.
É a partir desse momento que ele decide lutar contra o crime e usar suas habilidades para o bem, criando o característico uniforme e a famosa identidade do Amigão da Vizinhança. Mas e na vida real, como isso funciona?
Escalar paredes
Tentar simular os poderes do Homem-Aranha é algo bem recorrente. Quem nunca viu personagens de desenhos animados que escalavam prédios, da mesma forma que o Amigão da Vizinhança, utilizando desentupidores de pias e outros objetos de sucção?
Apesar de parecer absurdo, o conceito não é de todo falso. Diversas tentativas de recriar (ou adaptar) a habilidade a partir dessa proposta foram criadas, mesmo que a maioria delas tenha fadado ao fracasso.
Porém, alguns experimentos realmente funcionaram. É o caso da invenção de Jem Stansfield, um americano que decidiu fazer aquilo que todos já imaginaram quando criança: transformar um aspirador de pó em uma fantástica engenhoca.
Ele retirou os motores de dois eletrodomésticos e adaptou-os em uma espécie de mochila acoplada com duas pranchas de sucção utilizadas em suas mãos. Com isso, ele conseguiu escalar uma parede de nove metros. O único problema é o desconforto de carregar algo tão grande, barulhento e incômodo nas costas.
Um pouco mais profissional
É claro que de todos os poderes do Homem-Aranha, o mais possível de ser recriado é a habilidade de escalar paredes. Além das tentativas caseiras, diversas empresas decidiram reaproveitar a ideia em seus produtos e equipamentos.
A empresa americana BAE Systems, por exemplo, desenvolveu uma espécie de superadesivo, batizado de Synthetic Gecko, capaz de suportar o peso de uma pessoa, o que a permite a escalada. Tudo isso sem deixar qualquer tipo de resíduo, além de poder ser reutilizado.
Porém, a base inspiradora dessa tecnologia não é a aranha, mas a lagartixa. O adesivo, assim como o pequeno réptil, utiliza nanofibras que funcionam como uma espécie de velcro e grudam na superfície da superfície em contato.
Apesar disso, o conceito não foge em nada do universo do Homem-Aranha. Em seu primeiro filme, lançado em 2002, Peter Parker percebe o crescimento de pequenas fibras em suas mãos, o que lhe permite escalar paredes.
A capacidade de aderência do Synthetic Gecko é incrivelmente potente, suportando cerca de 3 mil quilos por metro quadrado. Isso significa que um pedaço de 60 cm² desse elemento é capaz de suportar o peso de um carro de família.
Porém, mesmo que isso possibilite que você aja como o Amigão da Vizinhança, sua utilização não é para o combate ao crime. Até então, o superadesivo foi desenvolvido para ser usado na reparação de tanques de gasolina e conserto da superfície de aeronaves.
Ainda mais perto da ficção
Se a utilização de um adesivo lhe parece pouco heroico ou nada prático para se locomover por uma cidade como Nova York, que tal ter essa habilidade na sola dos seus pés ou na palma de suas mãos? Pois pesquisadores americanos criaram aquilo que chega mais próximo do poder do Homem-Aranha.
Trata-se de uma bota com um dispositivo elétrico em um solado cheio de pequenos orifícios alimentado por uma bateria comum de 9 volts. Ela cria uma espécie de campo magnético em volta do pé do usuário, que passa a escoar água por meio desses pequenos furos, o que cria uma força de sucção capaz de suportar o peso de uma pessoa. Para descer, bastar alterar a polaridade da corrente elétrica para que a aderência acabe.
A grande vantagem desse tipo de tecnologia sobre o Synthetic Gecko é a possibilidade de ser utilizada em vários tipos de superfície. Enquanto o adesivo precisa ser usado em ambientes secos e lisos, a bota elétrica é mais versátil e pode ser “colada” em qualquer tipo de material. Isso sem falar que a proximidade estética com o Homem-Aranha é muito maior.
Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades
Como a grande maioria das criações tecnológicas, o primeiro mercado a estudar os benefícios desse sistema de escalada é o Exército Americano, seja para missões de invasão quanto para de resgate.
Primeiramente, equipamentos como a bota elétrica e o Synthetic Gecko possibilitariam que soldados escalassem prédios sem a utilização de cordas. Assim, resgatar pessoas de construções cujo acesso interno é comprometido torna-se muito mais simples e prático.
Outra funcionalidade que o dispositivo elétrico possui é de destruir. Em determinados casos a sucção do aparelho é tão forte que é capaz de deformar a superfície, de maneira semelhante quando você puxa o ar de um copo plástico. Uma luva equipada com esse tipo de tecnologia, por exemplo, poderia “explodir” uma porta facilmente.
Teia
Outra habilidade de nosso herói que sempre chamou a atenção da indústria fora dos quadrinhos é a teia que o Homem-Aranha utiliza para se balançar entre os prédios de Nova York e para lutar contra os criminosos da cidade.
Porém, há uma pequena divergência sobre a origem do fluido utilizado pelo Amigão da Vizinhança nas histórias em quadrinhos e nas versões adaptadas para o cinema.
Originalmente, Peter Parker criou um pequeno dispositivo que ele usava nos pulsos para disparar uma espécie de teia sintética. O problema é que ela era feita de um material resistente que nem mesmo o Exército dos EUA tinha conseguido reproduzir. Para evitar qualquer incoerência, adotou-se nos filmes o conceito de que a teia era produzida pelo próprio organismo do rapaz após o incidente genético.
Entretanto, oito anos após o lançamento do primeiro longa-metragem, a realidade é um pouco diferente. Apesar de ainda ser impossível recriar um elemento capaz de suportar o peso de um homem fantasiado de aranha, os avanços na criação de uma espécie de teia resistente já é algo próximo de sair das páginas das histórias em quadrinhos.
A empresa Nexia Biotechnologies misturou genes de uma aranha em uma cabra. O resultado foi a presença de um material no leite deste animal com resistência equiparável ao aço. Estima-se que ele seja capaz de suportar uma tensão de mais de 210 milhões de quilos por metro quadrado.
Batizada de “BioSteel” (algo como BioAço em uma tradução literal), a substância é semelhante à seda e, por incrível que pareça, parece ser compatível com o corpo humano. Por conta disso, estuda-se sua utilização em tratamentos fisioterápicos, principalmente com tendões e ligamentos.
Entre a ficção e a realidade
Entre os diversos super-heróis existentes nas histórias em quadrinhos, poucos possuem tecnologia correspondente a seus poderes no mundo real. No caso do Homem-Aranha, entretanto, realidade e ficção estão bem próximos.
Apesar disso, essas adaptações das habilidades do herói não significam que dentro de alguns anos vamos ver pessoas fantasiadas de aranha lutando contra o crime nas grandes cidades.
As histórias em quadrinhos servem como fonte de inspiração para que novas tecnologias sejam criadas, mas com novas finalidades. Com o Amigão da Vizinhança não é diferente, mas não seria uma má ideia termos nossos próprios Peter Parker.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
sábado, 10 de abril de 2010
Tradução de aúdio
Quantos idiomas estrangeiros você conhece? Pelo menos um, mais de um ou nenhum? Pois é, quem navega pela internet diariamente está sempre se deparando com diferentes idiomas, seja na hora de baixar um programa, assistir a um vídeo ou mesmo navegar por alguma página interessante.
Por ser a internet um meio tão multicultural, nada como a necessidade de tradução de muito que se vê por aí. Porém, se você não é superdotado e conhece 10 idiomas de cor e salteado, utilizar um tradutor automático é a opção mais procurada.
Pensando neste nicho, gigantes como Google, Microsoft e outros trouxeram a tradução para mais perto dos usuários, através de tradutores automáticos que têm como objetivo diminuir a distância entre línguas que tanto separa os caminhos da internet.

Trazemos aqui a análise desses tradutores automáticos, com o objetivo de ajudar você, usuário Baixaki, a escolher aquele que seja mais satisfatório para traduzir qualquer tipo de informação.
Os parâmetros
Quando se fala em análise de traduções, é preciso lembrar que tradução não é apenas a mudança de uma língua para outra. É preciso, ao se traduzir, observar diversos fatores, entre eles as marcas culturais (ou seja, o que é exclusivo de cada país), o estilo em que o original se encontra, além de erros e acertos em relação à maneira de escrita que seja correta em relação àquela língua.
Portanto, trouxemos para o nosso teste cinco excertos de textos diferentes em italiano, espanhol, alemão, francês e inglês, pois esses são os idiomas que aparecem com mais frequência nas pesquisas pela internet.
Cada texto traz características diferenciadas, para se testar todo o “poder de fogo” de nossos tradutores. Por falar nisso, os testes foram feitos com quatro tradutores automáticos usados na internet: Google Translate, Bing Translate, Yahoo! Babel Fish e Systran. Os três primeiros são usados mais extensamente, já o último tem apelo mais esporádico, porém trouxe bons resultados.

Além de usados tradutores automáticos, trazemos também a chamada “tradução humana” feita por profissionais das mais diversas línguas. Assim como o texto original, elas norteiam as análises, para que se chegue a conclusões mais precisas.
Encontramos uma porção de outros tradutores automáticos por aí, entretanto, as traduções por eles feitas são extremamente literais e muitas vezes não fazem sentido. Além disso, muitos sites se utilizam das ferramentas aqui analisadas (especialmente os códigos do Google), o que nos deu resultados iguais em vários casos.
Então, vamos às análises! Confira aqui os idiomas e as análises de cada uma das traduções, para que você escolha o tradutor automático que melhor atende às suas necessidades.
Espanhol
Para o espanhol, utilizamos um texto jornalístico, inclusive que fala sobre o lançamento do Bajaki, nosso mais novo hermano divulgado no portal Terra. O texto conta com uma linguagem simples e direta, para que os tradutores começassem com um teste mais simples. Eis os resultados.

Como se pode perceber, enquanto a tradução humana, por exemplo, percebe os nomes assim como são, a tradução do Google transformou “bajaki” em “bajakian”. No caso do Bing, aquilo que deveria ser “No Zebra Network” ficou como “zebra de N”.
O Systran foi o único a reconhecer os dois nomes como são, entretanto ele deixou o texto pouco natural, pois manteve a estrutura do espanhol, que não é igual à do português. Além disso, ele manteve o nome “Latinoamérica”, que não é usado no país, enquanto Google e Bing resolveram a questão inserindo “América Latina”, como a tradução humana.
Para o espanhol, o embate foi acirrado, com todas as vantagens e desvantagens de cada um. Isso exatamente porque o texto é jornalístico e, portanto, com linguagem fácil. Além disso, o espanhol e o português são mais próximos do que muitas línguas, o que deixa o texto ainda mais fácil de se traduzir automaticamente, pois mantém certas estruturas.
Italiano
Este texto italiano traz uma complicação a mais para os tradutores automáticos. Trata-se de uma transcrição da fala de show de stand-up italiano chamado Maschi Latini, de Paolo Migone. Por ser transcrição, ainda mais de comédia, os tradutores automáticos tiveram um pouco mais de trabalho.

Nos três casos, a palavra “pipolo”, que nada mais é do que referência a pequenas quantidades, não foi traduzida. A última frase, “O homem decide levá-la ao cinema”, nos três casos foi traduzida de forma estranha, uma vez que a ordem das palavras do italiano é um pouco mais complicada.
Falhas à parte, a tradução do Google foi a que melhor trabalhou o excerto, uma vez que não deixou palavras sem significado e manteve uma boa parte daquilo que o texto tratava.
Alemão
Para a tradução no idioma alemão, foi usado um pequeno parágrafo do texto dos Irmãos Grimm, sobre a história de Rapunzel. A história é baseada em fantasia e conta com um estilo simples. Entretanto, a estrutura da língua alemã é completamente diferente do português, o que se torna um grande problema no momento de traduzir.

Neste caso, novamente o Google se saiu melhor. Apenas na parte em que se fala da localização da janela, ele se complica, deixando a frase “mas muito no início foi uma pequena janela”, o que não é gramaticalmente aceitável.
Porém ele traduz todas as palavras do texto original e até se sai bem na última frase, por se tratar de um texto literário e mais poético. Ele erra em algumas marcas de masculino e feminino, porém não tanto para prejudicar o entendimento.
Tanto Bing quanto Systran deixam de traduzir várias passagens e não conseguem transpor a diferença entre as estruturas diferentes do alemão para o português. Isso prejudica de forma mais grave o entendimento, uma vez que você não consegue nem mesmo entender o que é dito.
Novamente, não é possível esquecer que se trata de um texto simples, para crianças, portanto sem tantas dificuldades de gramática e de compreensão. Portanto, a tradução não deveria apresentar tantos problemas como o que foi visto no Bing e no Systran.
Francês
O excerto original do francês foi retirado do livro de Alexandre Dumas “Os três mosqueteiros”, mundialmente conhecido e traduzido. Escolhemos um parágrafo que não apresenta muitas dificuldades, porém se trata de uma obra literária para o público mais adulto e, portanto, conta com mais refinamento de estrutura do que no conto alemão.

Aqui todas as traduções deixam um pouco a desejar, pois não conseguem mostrar com detalhes como d’Artagnan tirou seu florete (espécie de espada antiga). A palavra “flanconade”, que foi traduzido por “flanqueada” na humana, não teve tradução automática de nenhum dos quatro tradutores.
Neste caso, Google e Bing trouxeram as melhores traduções, de forma a passar o entendimento daquilo que foi dito, porém sem grande sucesso. Tanto o Yahoo! Babel Fish quanto o Systran deixaram muito a desejar, pois não traduziram outras palavras e ainda mantiveram o parágrafo um tanto quanto artificial, o que dificultou a compreensão.
Vale constatar que esta é a primeira tradução feita diretamente para o português do Babel Fish. Para as línguas anteriores, o suporte era apenas para o inglês, ou seja, você precisaria traduzir para o inglês e depois passar para o português, o que deixa a tradução automática “sem pés nem cabeça”.
Inglês
Para a tradução do inglês, utilizamos um pequeno parágrafo de uma reportagem da CNN sobre o lançamento do iPad e sua venda em Hong Kong. Apesar de ser uma notícia de jornal, assim como o espanhol, esse parágrafo trouxe grande dificuldade para os tradutores automáticos.
Isso porque, para fechar a análise, foi usado um texto que traz não apenas o inglês, mas uma expressão em francês específica muito usada quando se fala de comércio. Em termos gerais, “laissez faire” faz parte de umditado francês e pode ser traduzido por “deixai fazer”.

Para a tradução humana, optou-se por apagar esta marca de outra cultura e explicar mais literalmente do que se trata. Era possível deixar o texto com o ditado francês, porém este não aparece com tanta frequência em notícias de jornal no Brasil.
As ferramentas mantiveram a expressão, o que atrapalhou nas traduções automáticas. A tradução da frase deixou bastante a desejar, deixando a primeira parte confusa. A segunda frase também se torna um tanto quanto estranha, principalmente para aqueles que não conhecem a expressão francesa.
Tanto o Yahoo! Babel Fish e o Systran ainda “engoliram” uma parte da palavra que corresponde a “lançado” nas outras traduções, o que deixou a frase totalmente sem sentido.
O resultado

Depois de toda essa “Torre de Babel”, é fácil perceber que o tradutor do Google é o que melhor se adaptou aos textos mais diversos, traduzindo-os muitas vezes de forma a dar uma boa compreensão do contexto para quem precisa entender algo em diferentes idiomas.
Apesar de menos eficiente, o aplicativo do Bing também trouxe boas respostas, mas por vezes pecou em não traduzir termos ou deixar a frase muito literal, ou seja, muito ligada a estruturas e estilo da gramática do original.

É preciso destacar também que o Google é a ferramenta de combina mais línguas do que os outros, com suporte para 52 idiomas diferentes. Enquanto isso, o Bing conta com suporte para apenas 30 idiomas, tanto para a língua de chegada quanto para a língua de partida. As combinações de idiomas tanto do Google quanto do Bing são enormes.
Outros tradutores

Para você que ficou imaginando como tradutores como o Babylon e oLingoes ficaram de fora, vale a pena dizer que fizemos alguns testes com eles. No site do Babylon, por exemplo, encontrou-se um tradutor automático, entretanto, ele utiliza os códigos do Google e, portanto, traz os mesmos resultados.
Quando falamos em tradutores instalados no computador, Babylon e Lingoes executam a tarefa com facilidade, porém contam com várias falhas normais em se tratando de tradutores automáticos. Entretanto, vale a pena dizer que ambos trazem ótimas ferramentas de dicionário e suporte para a tradução, para que você dê uma boa “lapidada” naquilo que foi feito automaticamente.
Além disso, preferimos analisar apenas tradutores online, de forma a deixar toda a análise mais “justa”, com os quatro aplicativos em pé de igualdade e sem a ajuda de outras ferramentas.
Muito dos sites diferentes de tradução que encontramos por aí ainda trazem o Google como sua ferramenta básica, o que pode fazer você pensar que vem tudo “do mesmo”. Por contar com códigos livres para a construção de ferramentas, o Google Translate sai na frente de outros e se espalha por muitos diferentes sites que contam com tradução.
Entretanto, muitos tradutores trazem diferentes usos para essas ferramentas.O Nice Translator, por exemplo, mostra as traduções em diversas línguas, para que você não precise escrever várias vezes o mesmo texto. Isso é uma forma diferente de utilizar a mesma ferramenta, o que expande as possibilidades.
Além disso, você encontra várias opções de complementos e aplicativos que deixam ferramentas de tradução mais à mão do que entrar nos sites e traduzir textos durante a navegação na internet ou quando procura alguma informação. Isso faz com que não apenas o tradutor automático seja competente, mas também de fácil acesso.
Ferramenta do YouTube
Além das traduções online, vale a pena destacar a ótima alternativa do YouTube, com sua ferramenta de tradução de vídeo em tempo real. Essa tecnologia chamada de Automatic Speech Recognition (ASR) funciona através de reconhecimento de voz (em inglês), que refaz automaticamente a sincronização para 51 idiomas diferentes, inclusive o inglês.
Confira abaixo um vídeo que utiliza essa tradução. Perceba que é necessário que você clique no botão de legendas e escolhas as opções "transcrever áudio" e, a seguir "traduzir legenda" na lateral inferior direita.
O que podemos perceber, entretanto, é que o reconhecimento de voz muitas vezes não entende perfeitamente o que foi dito, o que deixa a legenda sem condições de ser entendida.
Porém, é preciso comentar que esta se trata de uma tecnologia nova e pioneira e, portanto, requer melhorias. Mas já em uma primeira análise, é interessante perceber que em outras partes essa legenda corresponde bastante ao que está sendo dito na tela.
A tecnologia do YouTube ainda requer um tempo para se firmar, porém é interessante perceber que ela vai ajudar muita gente, seja deficientes auditivos ou quem não entende o inglês.
E aí? Pode confiar?
A tradução automática melhorou bastante com o passar dos anos, porém deixa ainda muito a desejar. O fato é que a tradução humana lida com infinitas opções de palavras, leva em consideração fatores culturais e características específicas de cada idioma, resolve problemas de forma pouco usual e, portanto, traz muito mais riqueza para uma tradução.

Os tradutores online já deram um grande passo em seus códigos, mas ainda estão longe do que seria o ideal. Isso porque, por mais que tragam dados infinitos para pesquisa, eles não sabem como organizar toda essa informação de forma a utilizá-la na hora de uma “escolha” de tradução.
Eles cada vez mais se tornam uma ferramenta para tradutores, que lapidam o texto e tiram dúvidas através dos serviços. Além disso, a tradução automática é recomendável para traduções rápidas, em sites e espaços do gênero.
Um futuro sem fio
Ninguém duvida que fios espalhados pela casa não são nem um pouco bonitos. Os usuários do Baixaki que o digam, pois as fotos de gambiarras que chegaram até a redação foram de dar medo.
Para acabar com esse problema, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, conseguiram desenvolver um dispositivo que promete enterrar de vez a desagradável experiência com os fios que temos desde que a eletricidade foi inventada.
Como isso será possível?
Para conseguir eliminar os fios das residências, os pesquisadores de Purdue construíram um dispositivo que consegue converter pulsos de laser em ondas de radiofrequência. A partir do momento que se tem este tipo de sinal, a transmissão de dados fica mais fácil.
A intenção do projeto é ter um ponto único dentro das casas emitindo sinais para vários dispositivos ao mesmo tempo, assim como um roteador Wi-Fi. Porém, a diferença é que, além dos computadores ou celulares, TVs e rádios digitais, projetores e muito mais podem receber sinais e comandos via roteador central.

Método de transmissão
Os pulsos de laser convertidos para um formato semelhante ao da radiofrequência são então emitidos a uma velocidade altíssima (algo em torno de um décimo de trilhonésimo de segundo), o que os permite transmitir dados muito mais rapidamente.
Ao contrário dos sinais de radiofrequência comuns, esse tipo de método de transmissão não sofre interferência de paredes ou objetos, o que é ótimo para casas, tendo em vista que não é comum haver lugares muito abertos ou sem interferências físicas. Isso acontece porque a propagação dos sinais atuais não é contínua, mas sim em pulsos.

Inicialmente, um roteador central será usado e os aparelhos dotados com a nova tecnologia, por enquanto, só receberão os sinais. Contudo, com o passar do tempo e o desenvolvimento da metodologia de transmissão, é possível que haja troca de informações tanto entre os aparelhos, quanto com o roteador. Todas as trocas serão feitas por meio de pequenos chips implantados dentro de cada aparelho.
Comunicação ubíqua
Se o novo wireless der certo, mais um passo em direção à comunicação ubíqua será dado. O termo ubíquo vem do inglês, Ubiquitious, e isso significa que todos os sistemas de informação estão interligados.
Em linhas gerais, todos os ambientes e indivíduos estão (ou estarão no futuro) interligados de alguma maneira. Com a ajuda de redes sem fio, satélites ou alguma nova forma de comunicação, casas, lojas, hospitais, delegacias, tudo, estará conectado como uma enorme rede.

Outras formas de comunicação sem fio
Além do novo wireless, há projetos que já saíram do papel e estão disponíveis em equipamentos eletrônicos atuais. É o caso do WiDi e do IUM. O primeiro é uma tecnologia desenvolvida pela Intel e está disponível em computadores com a nova linha de processadores (i3, i5 e i7) compatíveis.
Chamada de WiDi (Wireless Display), computadores com suporte para a tecnologia podem transmitir áudio e vídeo diretamente para televisores por meio de um adaptador. Já o IUM é um adaptador em forma de pendrive que permite a criação de redes domésticas ou corporativas para o compartilhamento de discos de armazenamento. Sendo assim, se um micro tem 1 TB de espaço, este pode ser compartilhado por todos os micros da rede.

O caminho até a nova geração wireless parece longo, mas é questão apenas de tempo para que o projeto ainda em estágio preliminar, esteja disponível no mercado. Assim como o Bluetooth, Wi-Fi e 3G, que pareciam coisa de outro mundo tempos atrás e viraram formas de conexão que fazem parte do cotidiano.
Porta retrato 3d
Com o sucesso de filmes como Avatar, é impossível não associar a tecnologia 3D com o cinema e seus efeitos únicos que transportam o espectador para dentro dos acontecimentos. Tudo indica que, em alguns anos, essa experiência não estará mais restrita somente às salas escuras, estando disponível em aparelhos como televisores, celulares e até mesmo nas tradicionais fotografias.
Isso mesmo: fotografias - imagine se, naquela foto que você tirou das suas últimas férias ou baile de formatura fosse possível ver as pessoas literalmente saltando, sem que seja preciso utilizar nenhuma espécie de óculos especial. Parece algo de outro mundo, não?
Pois é justamente essa a ideia por trás do Finepix Real 3D V1, um dos primeiros porta-retratos com imagens tridimensionais disponíveis no mundo. Basta transferir uma foto qualquer para o aparelho para que seja possível visualizá-la com profundidade, dando um efeito completamente diferente do tradicional.
Imagens que “saltam” da tela
O Finepix Real 3D V1 faz parte da estratégia da Fujifilm de investir pesado nas novas tecnologias em três dimensões, se diferenciando da concorrência ao oferecer uma experiência confortável ao usuário, que não precisa pagar por óculos caros para visualizar o efeito tridimensional.

O que torna a visualização possível é o aprimoramento de uma tecnologia chamada de superfície lenticular, a mesma utilizada no visor da câmera Fujifilm Finepix 3D W1. Uma série de lentes minúsculas permite criar o efeito estereoscópico a partir das camadas de emissão da imagem. É como se o óculos 3D estivesse não no rosto do expectador, mas na própria tela do aparelho.
Para entender o que é o efeito estereoscópico, basta lembrar-se de revistas em quadrinhos ou livros antigos, que eram impressos em papel normal e traziam uma série de imagens ligeiramente paralelas. Para obter o efeito tridimensional, muitas vezes era preciso ficar ”vesgo” durante alguns instantes para que a imagem saltasse aos olhos.
Já o Finepix Real 3D V1 dispensa todo esse trabalho ao utilizar um sistema de iluminação inteligente, que dirige a luz aos olhos de uma forma que simula o efeito estereoscópico. É claro, isso não é possível em todos os ângulos de visualização, mas representa um grande avanço em relação às tecnologias anteriores.
Especificações técnicas
O porta-retratos tridimensional da Fujifilm conta com uma tela de oito polegadas, capaz de exibir imagens com resolução de 800x600 (400x600x 2 canais no modo 3D). Assim como a Fujifilm Finepix 3D W1, um simples toque de botão permite alterar entre o modo de visualização tridimensional ou o tradicional modo 2D.
O Finepix Real 3D V1 possui suporte para os formatos JPEG, MPO (específico para imagens tridimensionais), além de permitir a exibição de filmes em AVI ou 3D-AVI, o que dá mais versatilidade ao aparelho.

O porta-retratos possui suporte para os cartões de memória SD/SDHC, além de 512 MB de armazenamento interno. Uma prática entrada mini-USB permite conectar o dispositivo a computadores ou câmeras fotográficas, facilitando a transferência de fotos e vídeos.
Quem for um dos sortudos que possuem a Fujifilm Finepix Real 3D W1 pode dispensar todas essas etapas e transferir os arquivos desejados através de conexão Wi-Fi, o que mostra que a fabricante está preocupada em oferecer uma interação rápida e fácil de usar entre os dispositivos que produz.
Qual o custo da tecnologia?
Assim como outros aparelhos que possuem a tecnologia tridimensional, a Finepix Real 3D V1 ainda é um sonho restrito a poucos abastados. Atualmente, o aparelho está disponível nos Estados Unidos pelo preço de US$ 600, preço bastante salgado, ainda mais se levarmos em conta que esse valor tende a dobrar ou triplicar em terras brasileiras.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Mutação
A sequência de um gene pode ser alterada de diversas maneiras. Mutações genéticas têm diferentes efeitos na saúde, dependendo de onde ocorrem e se alteram a função de proteínas essenciais. Estruturalmente, mutações podem ser classificadas em:
- Mutações de pequena escala, como aquelas que afetam um pequeno gene em um ou poucos nucleotídeos, incluindo:
- Mutação pontual: geralmente causada por substâncias mutagênicas ou erros na replicação do DNA, há a troca de um único nucleotídeo por outro. A mais comum, conhecida por transição, ocorre quando há a troca de uma purina por outra purina (A ↔ G) ou uma pirimidina por outra pirimidina (C ↔ T). Transições podem ser causadas por Ácido Nítrico, erro de pareamento entre as bases, ou mutagênicos análogos, como 5-bromo-2-desoxiuridina (BrdU). Um tipo de mutação pontual menos comum é a transversão, em que há a troca de uma purina por uma pirimidina, ou vice-versa (C/T ↔ A/G). Uma mutação pontual pode ser revertida por outra mutação pontual em que o nucleotídeo é mudado de volta ao seu estado original (reversão versadeira) ou por ou por uma reversão a partir de outra mutação (uma mutação complementar em outro local que resulta no retorno do gene à função anterior) . Mutações pontuais que ocorrem dentro da região codificadora da proteína podem ser classificadas em três tipos, dependendo do tipo de expressão apresentado pelo códon mutado:
- Mutação silenciosa: O códon codifica para o mesmo aminoácido.
- Mutação "Missense": Codifica para um aminoácido diferente.
- Mutação sem sentido: Codifica para um códon de parada, que interrompe a proteína antes de seu término.
- Inserção: ocorre pela adição de um ou mais nucleotídeos na sequência de DNA. Geralmente, esse tipo de mutação é causado por transposons ou erros dutante a replicação de elementos repetitivos (sequências AT, por exemplo). Insersões na região codificadora de um gene podem alterar o corte (splicing) do mRNA, ou causar mudança no quadro de leitura dos códons. Ambas alterações podem laterar significativamente o produto gênico.
- Deleção: Há a remoção de um ou mais nucleotídeos da sequência de DNA. Assim como insersões, essas mutações podem modificar o quadro de leitura do gene. Geralmente elas são irreversíveis; apesar de teoricamente a mesma sequência poder ser restaurada por inserção, elementos de transposição capazes de reverter uma deleção muito curta (com uma ou duas bases) em um dado local são muito improváveis ou mesmo inexistentes. É importante notar que uma deleção não é o oposto exato de uma inserção. Enquanto deleções são aleatórias, inserções consistem de uma sequência específica sendo inserida em locais que não são completamente aleatórios.
- Mutação pontual: geralmente causada por substâncias mutagênicas ou erros na replicação do DNA, há a troca de um único nucleotídeo por outro. A mais comum, conhecida por transição, ocorre quando há a troca de uma purina por outra purina (A ↔ G) ou uma pirimidina por outra pirimidina (C ↔ T). Transições podem ser causadas por Ácido Nítrico, erro de pareamento entre as bases, ou mutagênicos análogos, como 5-bromo-2-desoxiuridina (BrdU). Um tipo de mutação pontual menos comum é a transversão, em que há a troca de uma purina por uma pirimidina, ou vice-versa (C/T ↔ A/G). Uma mutação pontual pode ser revertida por outra mutação pontual em que o nucleotídeo é mudado de volta ao seu estado original (reversão versadeira) ou por ou por uma reversão a partir de outra mutação (uma mutação complementar em outro local que resulta no retorno do gene à função anterior) . Mutações pontuais que ocorrem dentro da região codificadora da proteína podem ser classificadas em três tipos, dependendo do tipo de expressão apresentado pelo códon mutado:
- Mutações de grande escala da estrutura do cromossomo, incluindo:
- Amplificação (ou duplicação gênica): Criação de várias cópias de uma região cromossômica, aumentando a dosagem dos gênes dentro dela.
- Deleção de regiões cromossômicas, levando à perda dos genes presentes nessas regiões.
- Mutações cujo efeito é unir partes do DNA anteriormente separadas, potencialmente unindo genes de tal forma que surjam genes fundidos funcionalmente distintos. (por exemplo, bcr-abl). Esse tipo de mutação inclui:
- Translocação cromossômica: ocorre a troca de porções de cadeias de DNA entre cromossomos não homólogos.
- Deleção do interstício: Há a deleção de um segmento de DNA de um cromossomo, agrupando, assim, genes anteriormente distantes.Por exempo, células isoladas de um astrocitoma, um tipo de tumor cerebral, têm uma deleção cromossômica que remove as sequências entre entre os genes "fundido em glioblastoma" (fig) e "receptor da tirosina kinase" (ros). O resultado da união entre esses genes é uma proteína de fusão, denominada FIG-ROS. Essa proteína tem uma atividade de kinase que causa transformação oncogênica (a transformação de células normais en cancerígenas)[carece de fontes?].
- Inversão cromossômica: Ocorre a inversão da orientação de um segmento do cromossomo.
- Perda de heterozigozidade: Há a perda de um alelo por deleção ou recombinação num organismo que originalmente possuia dois alelos.
Por efeito na função
- Mutações de perda de função: são aquelas que resultam num produto gênico que tem menos ou nenhuma função, em comparação ao gene não mutado. Quando o alelo perde completamente a função, (alelo nulo), denomina-se uma mutação amórfica. Fenótipos associados a essas mutações geralmente são recessivos, exceto quando o organismo é haplóide, ou quando a dosagem reduzida do gene normal não é suficiente para produzir um fenótipo normal (este fenômeno é denominado haploinsuficiência).
- Mutações de ganho de função: mudam o produto gênico de forma que este ganhe uma nova função. Essas mutações geralmente tem fenótipos dominantes. Esse tipo de mutação pode ser denominado neo-mórfica.
- Mutações negativas dominantes (também conhecidas por mutações neo-mórficas): Há a produção de um produto gênico alterado que age de forma antagônica ao alelo selvagem. Essas mutações levam a uma ação molecular alterada (geralmente inativa) e são caracterizadas por um fenótipo dominante ou com dominância incompleta. Em humanos, a sínrome de Marfan é um exemplo desse tipo de mutação ocorrendo de forma dominante. Nessa doença, a glicoproteína produzida pelo alelo mutante é antagônica ao produto do alelo normal.
- Mutações letais: são mutações que levam à morte do organismo que a possui.
Por aspecto do fenótipo afetado
- Mutação morfológica: geralmente afeta a aparência externa de um organismo. Mutações deste tipo podem mudar a altura de uma planta, ou modificar suas sementes de lisa para rugosa.
- Mutação bioquímica: resulta em quebras nas rotas bioquímicas de transformação enzimática. Frequentemente, mutantes morfológicos são o resultado direto de moficações em rotas enzimáticas.
Pela herança
A grande maioria dos organismos eucarióticos, incluindo o ser humano, contém duas cópias de cada gene em seu genoma - um de origem paterna e outro materna. As mutações podem ser então classificadas quanto à forma como são herdadas nesse sistema diplóide:
- Selvagem ou Homozigoto não mutado: ocorre quando nenhum dos alelos está mutado.
- Mutação em heterozigoze: quando apenas um dos alelos está mutado.
- Mutação em homozigoze: ocorre quando tanto o alelo parental como o maternal têm uma mutação idêntica.
- Mutação em heterozigoze composta: quando os alelos materno e paterno apresentam mutações diferentes.
Classe especial
- Mutação Condicional é uma mutação que tem fenótipo tipo selvagem (ou menos severo) sob certas condições ambientais "permissivas" e uma fenótipo mutante sob certas condições "restritivas". Por exemplo, a mutação sensível a temperatura pode causar morte celular em altas temperatura (condição restritiva), mas pode ter nenhuma conseqüência deletéria em baixas temperaturas (efeito permissivo).
Causas da mutação
Quanto às causas, as mutações podem ser classificadas em dois tipos principais, as mutações espontâneas e as induzidas por agêntes mutagênicos.
Mutações espontâneas a nível molecular incluem:
- Tautomerismo - Uma base é modificada pelo reposicionamento de um átomo de hidrogênio.
- Depurinação - Perda de uma base puríca (A ou G).
- Desaminação - Mudança de uma base normal para uma atípica; C → U, (que pode ser corrigida por mecanismos de reparo do DNA), ou desaminação espontênea da 5-methilcitosina (irreparável), ou ainda A → HX (hipoxantina).
- Transição- Uma purina se transforma em outra purina (A ↔ G), ou uma pirimidina se transforma em outra pirimidina(C ↔ T).
- Transversão - Uma purina é trocada por uma pirimidina, e vice-versa(C/T ↔ A/G).
Mutações induzidas a nível molecular podem ser causadas por:
- Mutagênicos químicos
- Guanidina nitrosa (NTG)
- Hidroxilamina NH2OH
- Bases análogas (por exemplo, BrdU)
- Substâncias simples (por exemplo, ácidos)
- Agentes alquilantes (por exemplo N-etil-N-nitrosoureia (ENU)) Estes agentes podem causar a mutação tanto de DNA em replicação como em DNA não-replicante. Entretanto, um análogo de base nitrogenada pode somente mutar o DNA quando este análogo é incorporado durante a replicação do DNA. Cada uma das classes de mutagênicos químicos têm efeitos que podem levar a transições, transversões ou deleções.
- Agentes metilantes (por exemplo, etil-metanossulfonato (EMS))
- Hidrocarbonetos policíclicos (por exemplo, benzopirenos encontrados na fumaça de motores de combustão)
- Agentes intercalantes de DNA (por exemplo, Brometo de etídio)
- DNA crosslinker (e.g. platina)
- Dano oxidativo causado por espécies reativas de oxigênio
- Radiação
- Radiação Ultravioleta (não ionizante) excita eletróns a um nível de energia mais elevado. As moléculas de DNA são bons absorvedores de luz ultravioleta, especialmente aquela com comprimento de onda entre 260 e 280 nm. As bases nitrogenadas citosina e timina (A e T), são mais vulneráveis a essas excitações, que podem modificar as propriedades de pareamento de bases. A luz UV pode induzir que bases timinas adjacentes numa sequência de DNA pareiem-se entre si, formando um dímero pesado.
- Radiação ionizante
O DNA possui os chamados "hotspots", locais em que as mutações ocorrem a uma taxa até 100 vezes superior ao normal. Um "hotspot" pode ocorrer em uma base não usual, como por exemplo numa 5-metilcitosina.
As taxas de mutação também dependem da espécie do organismo. Os biólogos evolucionistas propõem teorias em que taxas de mutação aumentadas seriam benéficas em algumas situações, por permitirem uma evolução mais rápida e, consequentemente, uma adaptação acelerada a novos ambientes. Por exemplo, a exposição repetida de bactérias a antibióticos, e a seleção dos mutantes resistentes, pode resultar na seleção de bactérias que possuam um grande aumento das taxas de mutação, em comparação com a população original.
Nomenclatura
A nomenclatura de mutações especifica o tipo de mutação e as mudanças de base ou de aminoácidos.
- Substituição de aminoácido - (por exemplo, D111E) A primeira letra representa o código do aminoácido presente no tipo selvagem, o número é a posição N-terminal do aminoácido, e a segunda letra representa o aminoácido presente na proteína mutada. Se a segunda letra for "X", qualquer aminoácido pode substituir o tipo selvagem.
- Deleção de aminoácido - (por exemplo, ΔF508) A letra grega Δ (delta) indica uma deleção. A letra se refere ao aminoácido presente no tipo selvagem e o número é a posição N-terminal que seria ocupada pelo aminoácido perdido.
Tipos de mutação
Mutação regressiva
Mutação regressiva é uma mudança num par de nucleotídeos numa sequência de DNA que restaura a sequência original depois de uma mutação pontual e por consequência restaurando o fenótipo original.
Mutação por mudança da matriz de leitura
Uma mutação por mudança da matriz de leitura é uma mutação causada por indels (palavra formada pela fusão de inserção + deleção) de um número de nucleotídeos diferente de três e seus múltiplos (ex.: 1, 2, 4, 5, 7, etc...) em uma determinada seqüência de DNA. Devido à fundamentação da expressão gênica ser baseada em um triplete natural de nucleotídeos (codon), a inserção ou deleção pode perturbar a matriz de leitura, isto é, um único nucleotídeo alterado modifica toda seqüência de codons a partir da mutação resultando em um produto gênico completamente diferente do original. Quanto mais inicial for a inserção ou deleção, mais alterado vai ser o produto gênico.
Mutações não-sinónimas
Mutações não-sinónimas são tipos de mutações pontuais onde um único nucleotídeo é mudado provocando uma substituição de um aminoácido. Isto por sua vez pode fazer com que a proteína resultante se torne não-funcional. Tais mutações são responsáveis por doenças como anemia falciforme e esclerose lateral amiotrófica mediada pela superóxido dismutase(Boillée 2006, p. 39).
Mutação neutral
Uma mutação neutral é aquela que ocorre num codão e que resulta no uso de um aminoácido diferente, mas quimicamente semelhante. É semelhante a uma mutação silenciosa, onde uma mutação no codão codifica o mesmo amino-ácido (veja a Hipótese de Wobble); por exemplo, uma mudança de AUU para AUC codifica à mesma leucina, por isso não ocorre nenhuma mudança discernível (uma mutação silenciosa).
Mutação sem sentido
Uma mutação sem sentido ou nonsense é uma mutação com mudança da cadeia numa sequência de DNA que resulta num codão stop prematuro, ou num codão nonsense no mRNA transcrito, possivelmente um truncamento e muitas vezes uma proteína não-funcional.
Mutações pontuais
Um a mutação pontual, ou substituição, é um tipo de mutação que causa a substituição de um único nucleotídeo por outro nucleotídeo. Muitas vezes o termo mutação pontual também inclui inserções ou deleções de um único par de bases (o que tem mais efeitos adversos na sintetização de proteínas porque os nucleotídeos continuam a ser lidos em tripletos, mas em molduras diferentes - chamada de mutação "frameshift".
Mutações silenciosas
Mutações silenciosas são mutações do DNA que não resultam numa mudança da sequência de aminoácidos de uma proteína. Elas podem ocorrer numa região não-codificante (fora de um gene ou dentro de um intrão), ou podem ocorrer dentro de um exão de maneira a não alterar a sequência amino-acídica final. O termo mutação silenciosa é muitas vezes usado como sendo equivalente a mutação sinónima; no entanto, mutações sinónimas são uma subcategoria do primeiro, ocorrendo apenas dentro dos exões.
Mutações maléficas
Mudanças no DNA causadas por mutações podem causar erros na sequência das proteínas, criando proteínas partial ou completamente não-funcionais. Para funcionar correctamente, cada célula depende de milhares de proteínas para funcionar nos sítios certos nas alturas certas. Quando uma mutação altera uma proteína que tem um papel importante no corpo, pode resultar numa doença. Uma enfermidade causada por mutações em um ou mais genes é chamado de doença genética. Contudo, apenas uma pequena percentagem de mutações causa doenças genéticas; a maioria não tem impacto na saúde. Por exemplo, algumas mutações alteram a sequência de bases de DNA de um gene mas não mudam a função da proteína produzida por esse gene. Estudos na mosca da fruta Drosophila melanogaster sugerem que se uma mutação muda de facto uma proteína, esta mudança será provavelmente maléfica, com 70 por cento destas mutações tendo efeitos negativos e sendo as restantes neutras ou fracamente benéficas.
Se uma mutação estiver presente numa célula germinal, pode dar origem a descendentes portadores dessa mutação em todas as suas células. Este é o caso de doenças hereditárias. Por outro lado, uma mutação pode ocorrer numa célula somática de um organismo. Algumas mutações podem estar presentes em todos os descendentes desta célula e certas mutações podem provocar que a célula se torne maligna, e consequentemente cause cancro.
Muitas vezes, mutações génicas que poderiam provocar uma doença genética são reparadas pelo sistema celular de reparação do DNA. Cada célula tem um certo número de vias bioquímicas através do qual enzimas reconhecem e reparam erros no DNA. Como o DNA pode ser danificado ou mutado de diversas maneiras, o processo de reparação do DNA é uma maneira importante do corpo se proteger de doenças.
Mutações benéficas
Uma muito pequena percentagem de todas as mutações tem na verdade um efeito positivo. Estas mutações levam a novas versões de proteínas que ajudam o organismo e futuras gerações a adaptar-se melhor a mudanças no seu ambiente. Por exemplo, uma deleção específica de 32 pares de base no CCR5 humano confere resistência ao HIV a homozigóticos e atrasa o despoletar do SIDA em heterozigóticos. A mutação CCR5 é mais comum em pessoas com ascendência europeia. Uma teoria para a etiologia da relativa alta frequência do CCR5-Δ32 na população europeia é que esta confere resistência à peste bubónica que flagelou a Europa em meados do Século XIV. Pessoas que tinham esta mutação foram capazes de sobreviver à infecção; por isso, a sua frequência na população aumentou. Isso pode também explicar porque esta mutação não se encontra em África, que não foi afectada pela peste bubónica. Uma teoria mais recente diz que pressão selectiva na mutação CCR5 Delta 32 foi causada pela varíola em vez da peste bubónica.Outros genes influenciam o desenvolvimento do corpo. Por exemplo, alelos diferentes na via da miostatina influenciam a força de uma pessoa, uma vez que estes genes controlam o desenvolvimento muscular.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Viagem no tempo
1ª Possibilidade
Os buracos-de-minhoca foram propostos como vias para viajar no tempo. Um buraco de minhoca funcionaria hipoteticamente da forma que se explica a seguir: O buraco de minhoca é criado de alguma forma. Uma das extremidades do buraco de minhoca é acelerado até velocidades próximas da luz, talvez com a ajuda de uma nave espacial sofisticada, e em seguida desacelerado até à velocidade original. Devido à dilatação do tempo, na parte acelerada do buraco de minhoca o tempo passou muito mais devagar. Um objeto que entra no buraco de minhoca a partir da parte não acelerada viajará até ao outro lado até o passado. Este método tem uma limitação: não é possível viajar a épocas anteriores à criação da máquina; na prática, forma-se uma espécie de túnel para uma região que ficou relativamente parada no tempo, mas não se cria uma máquina capaz de viajar a qualquer época que se deseja. Isto explicaria por que a observação de Stephen Hawking exposta acima não é correta: não vemos os turistas do tempo porque, teoricamente, eles só poderiam viajar até à época em que o primeiro buraco de minhoca foi criado, e isso ainda não aconteceu.
Porém criar um buraco de minhoca não é uma tarefa fácil. A energia necessária para criar um buraco de minhoca suficientemente grande e estável para lá caber uma nave espacial e para mover uma das suas extremidades a grandes velocidades é várias ordens de grandeza maior que a energia que o Sol produz ao longo da sua vida.
E a matéria necessária para criar um buraco de minhoca pode nem existir. Um buraco de minhoca teria que ser construído com uma substância conhecida por matéria exótica[1], ou matéria negativa, cuja existência ainda não foi comprovada, apesar de ninguém ainda ter provado que não existe numa forma útil para criar buracos de minhoca (mas ver efeito Casimir). Sendo assim, é improvável que um buraco de minhoca venha alguma vez a ser construído, mesmo por uma civilização tecnicamente muito mais avançada que a nossa.
2ª Possibilidade
Outro método que poderá permitir as viagens no tempo é a rotação de um cilindro. O cilindro tem que ser longo, denso e deve rodar à volta do seu eixo a velocidades elevadas. Se uma nave seguir um percurso em forma de espiral em torno do cilindro conseguirá viajar para trás no tempo. No entanto, a densidade e as velocidades necessárias são tão elevadas que não existe nenhum material suficientemente forte para construir o cilindro. Um mecanismo semelhante poderá ser construído a partir de uma corda cósmica, mas não são conhecidas cordas cósmicas e nem parece ser possível construí-las.
O físico Robert Forward notou que uma aplicação ingênua de relatividade geral para mecânica quântica sugere uma outra maneira para construir uma máquina do tempo. Um próton num forte campo magnético iria se deformar num cilindro, cuja densidade e "spin" seriam suficientes para construir uma máquina do tempo. Raios gama projectados no cilindro possivelmente iriam permitir que informação (não matéria) fosse emitida para trás do tempo.
No entanto, tudo indica que, até a concepção de uma única teoria combinando relatividade e mecânica quântica, não se terá a menor idéia se tal especulação é ou não absurda. Tem sido sugerido que a teleportação quântica ou o paradoxo de EPR poderão ser utilizados para comunicações transmitidas a velocidades superiores à da luz. No entanto, estas experiências são apenas novos métodos de transmitir informação quântica, e não permitem transmitir informação clássica. A confusão entre as duas formas de informação tem sido espalhada pela cobertura jornalística das experiências de teleportação e não tem fundamento.
A teoria especial da relatividade de Einstein permite viagens no tempo para o futuro devido à dilatação do tempo. Para isso basta que o viajante acelere até atingir velocidades próximas à da luz. Apesar de não se saber com certeza se é possível voltar à época inicial, o dr. Ronald Mallett alega estar à beira da construção de uma máquina que permita viagens ao passado e futuro. O dr. Mallet expôs suas teorias no documentário The World's First Time Machine, do Discovery Science.
Viagens no tempo na ficção científica
As viagens no tempo são um tema frequente na ficção científica. O tratamento que a ficção científica dá às viagens do tempo pode ser dividida em duas categorias principais:
1. A História é consistente e nunca poderá ser mudada
1.1 Os personagens não têm controle sobre a viagem no tempo. (The Morphail Effect).
1.2 Aplica-se o princípio de auto-consistência de Novikov (do Dr. Igor D. Novikov, Professor de Astrofísica da Universidade de Copenhague)
1.3 A alteração do passado não muda a História, mas cria uma História paralela.
2. A História pode ser alterada
2.1 A História tem uma grande resistência à mudança
2.2 A História pode ser mudada facilmente (Back to the future)
TARDIS da série Doctor Who.A cada uma destas categorias correspondem os universos de Tipo 1 e de Tipo 2. As viagens num universo de tipo 1 não provocam paradoxos, embora os eventos em 1.3 possam parecer paradoxais.
Na situação 1.1, as leis da física limitam as viagens do tempo de modo a que os paradoxos não sejam possíveis. Se alguém tentar criar um paradoxo, deixa de ser capaz de controlar a viagem no tempo e acontecem coisas inesperadas. Michael Moorcock descreve uma forma deste principio e chama-o "o efeito de Morphail".
Na situação 1.2, o princípio de auto-consistência de Novikov afirma que a existência de um método para viajar no tempo obriga que os acontecimentos permaneçam auto-consistentes (i.e. sem paradoxos). As tentativas para violar a consistência estão condenadas ao fracasso, mesmo que tenham que ocorrer acontecimentos bastante improváveis.
Exemplo: o personagem possui um aparelho que permite o envio de um único bit de informação para um momento preciso no tempo. O personagem recebe esse bit às 10:00:00 PM, mas não recebe mais nenhum durante 20 segundos. Se o personagem enviar um bit para as 10:00:00 PM tudo corre normalmente: o bit é recebido. Mas se ele enviar um bit para as 10:00:15 PM (um momento em que nenhum bit foi recebido), o transmissor não funcionará. Ou o personagem não o receberá por estar distraído por outros eventos. Um excelente exemplo deste tipo de universo pode ser encontrado no romance literário Timemaster de Robert Forward.
Na situação 1.3, os eventos que aparentam ter causado um paradoxo criam na realidade uma nova linha do tempo. A antiga linha do tempo continua a existir. O viajante no tempo abandonou essa linha do tempo e encontra-se agora em outra. O problema desta explicação é que viola o princípio da conservação de massa e energia. Se o viajante abandona um universo para entrar em outro, o universo original perde massa. Por isso, o mecanismo de viagem no tempo envolve provavelmente uma troca de massas entre universos.
Num universo em que as viagens no tempo são permitidas mas não se permitem paradoxos, o momento presente é o passado de um observador futuro, todos os eventos estão fixos e não há livre arbítrio (apesar de existir a ilusão de livre arbítrio). A História é como uma fita de um filme onde tudo já está fixo.
As viagens do tempo num universo de tipo 2 são mais difíceis de explicar. O maior problema consiste em explicar como é que mudanças no passado não parecem mudar significativamente a História. Uma explicação possível sugere que logo que a História é mudada, todas as memórias são automaticamente alteradas de modo a reflectir essa mudança. Nem o personagem que muda a História perceberá de tê-lo feito porque não se lembraria do como as coisas eram antes.
Num universo destes seria muito difícil a um personagem saber se vive num universo de tipo 1 ou tipo 2. No entanto, ele poderia descobrir que está num universo de tipo 2 através das evidências seguintes: a) é possível viajar no tempo e b) as evidências sugerem que a História nunca mudou como resultado de ações tomadas por alguém que se lembre delas, embora existam provas de que as pessoas estão sempre a mudar a sua própria linha do tempo.
Larry Niven sugere que num universo tipo 2.1 a melhor forma do universo "corrigir" as alterações da História consiste em impedir a descoberta de formas de viajar no tempo, e que num universo de tipo 2.2, um número muito grande (ou mesmo infinito) de viajantes vão causar um número infinito de mudanças na História até que esta se estabilize em uma versão na qual formas de viajar no tempo não seriam descobertas.
Uma variante dessa modalidade está no "Fim da Eternidade", de Isaac Asimov, onde as mudanças na História causam desvios mas depois se ajustam a uma linha-mestra. A depender da alteração, pode ser um desvio ínfimo, ou um de séculos, mas existiria uma espécie de inércia no percurso da História.
Em muitos livros de ficção científica, as viagens são feitas com máquinas do tempo, mas em alguns casos, as viagens são feitas graças aos poderes mentais dos personagens, como no livro Time And Again de Jack Finney. No livro de Poul Anderson,There Will Be Time, no filme Efeito borboleta e no seriado journeyman, viajar no tempo é uma capacidade inata que só alguns possuem.